BRUXELAS 3 abr. (EUROPA PRESS) -
A França apontou nesta quinta-feira as grandes plataformas digitais norte-americanas como um dos setores que poderiam ser afetados pela retaliação que a União Europeia está finalizando em resposta à ofensiva tarifária dos Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, anunciou que taxará todas as importações do mercado europeu em 20%, como parte do que ele chama de "tarifas recíprocas" em nível global.
"Continuaremos tentando negociar porque não somos nós que estamos na origem desse ataque comercial", disse a porta-voz do Eliseu, Sophie Primas, em uma entrevista à rádio RTL, onde, apesar de insistir no diálogo com Washington, ela também quis deixar claro que o bloco europeu tem "os instrumentos necessários" para responder com firmeza.
A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou em uma declaração sem perguntas no início desta manhã que Bruxelas está finalizando a lista de produtos que serão taxados pela UE em resposta às tarifas já em vigor sobre o aço e o alumínio. Na ausência de detalhes sobre a lista, que os ministros do comércio da UE discutirão na segunda-feira em uma reunião extraordinária em Luxemburgo e que o executivo da UE planeja ativar em meados de abril, a capital europeia estima seu impacto em cerca de 26 bilhões de euros.
Além disso, a UE-27 está explorando uma resposta maior ao restante das tarifas anunciadas por Trump na quarta-feira, que, de acordo com a porta-voz do governo francês, terão como alvo "bens e serviços", incluindo as cinco principais plataformas, as "GAFAMs" - Google (Alphabet), Apple, Facebook, Amazon, Microsoft -.
"O mecanismo e os produtos que serão considerados ainda não foram decididos", admitiu a porta-voz francesa, em referência ao fato de que as negociações entre os Estados membros e Bruxelas continuam, mas ela alertou que a União "deve ser forte" e mostrar "unidade", ao mesmo tempo em que assume que a resposta também abordará os serviços digitais. A porta-voz esclareceu que essa etapa ainda está sendo discutida e que, seja qual for o escopo dessa resposta, ela não estará em vigor até o "final" do mês.
"Trata-se, por exemplo, de serviços digitais que hoje não são tributados e que poderiam ser tributados", disse Primas, para quem a escalada da guerra comercial lançada pelos Estados Unidos mostra que influenciar Trump só pode ser feito a partir de "uma relação de força".
Em todo caso, Primas também garantiu que a resposta da França será "com a União Europeia, porque não há outra maneira de fazer isso a não ser com a Europa". Não é à toa que a política comercial da UE é de responsabilidade da Comissão Europeia, que desde o início desta crise tem se esforçado para salientar que o interlocutor com Washington é seu Comissário de Comércio, Maros Sefcovic, e não as capitais.
Embora o executivo da UE tenha evitado detalhar as opções sobre a mesa para responder a Trump, além da primeira lista de tarifas que será ativada por volta de 13 de abril, uma das principais questões em discussão é a ativação do novo mecanismo europeu anti-coerção criado para responder com retaliação a qualquer tentativa de pressão econômica de terceiros países.
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