Publicado 02/04/2025 06:27

Ancelotti diz que o Real Madrid sugeriu uma fórmula para os direitos de imagem: "Nunca pensei em fraudar".

Carlo Ancelotti, técnico do Real Madrid, observa durante a partida de futebol da semifinal da Copa del Rey, entre Real Madrid e Real Sociedad, no estádio Santiago Bernabeu, em 1º de abril de 2025, em Madri, Espanha.
Oscar J. Barroso / AFP7 / Europa Press

MADRID 2 abr. (EUROPA PRESS) -

O técnico do Real Madrid, Carlo Ancelotti, testemunhou no julgamento por uma suposta fraude fiscal de um milhão de euros nos anos fiscais de 2014 e 2015 que "nunca" pensou em fraudar, afirmando que foi o Real Madrid que sugeriu uma fórmula de cobrança de direitos de imagem que ele entendeu ser "correta" e com a qual o clube branco obteria vantagens fiscais.

O técnico italiano está enfrentando uma exigência fiscal de quatro anos e nove meses de prisão por dois delitos contra as autoridades fiscais. A dívida fiscal foi cobrada pela Agência Tributária por meio de apreensão, totalizando um total de 1.217.958,24 euros, uma sobretaxa de 243.593,71 euros e 47.298,10 euros de juros. O promotor público está exigindo duas multas no valor total de 3.186.237 euros.

Nas questões preliminares, o advogado do réu solicitou a inclusão no processo de um documento que declare que Ancelotti deu instruções ao Real Madrid para proceder ao pagamento do dinheiro que lhe foi exigido, já que a Procuradoria do Estado contesta que esse pagamento seja voluntário.

Em sua declaração, o técnico merengue detalhou que, quando chegou ao Real Madrid, assinou um contrato federativo em julho de 2013, concordando que 15% de seu salário seria pago por direitos de imagem e no qual se falava de uma empresa cessionária dos referidos direitos.

Ao ser questionado pelo promotor sobre as empresas criadas para supostamente sonegar às autoridades fiscais a renda dos direitos de imagem, ele indicou que sempre negociou contratos líquidos e que, nesse caso, negociou seis milhões de euros por temporada. "Nunca dei importância aos direitos de imagem. Os técnicos não são tão importantes, mas os jogadores são, porque vendem camisas. Eu só me importava em receber seis milhões de euros líquidos", disse ele.

O técnico insistiu que "nunca" percebeu que "algo não estava certo" e que, já em 2018, estava ciente dos fatos pelos quais está sendo julgado, porque até então o Ministério Público não lhe comunicou nada sobre a suposta fraude fiscal. "Nunca pensei em fraudar porque isso nunca aconteceu comigo", afirmou,

Ele também enfatizou que foi o próprio Real Madrid que sugeriu uma fórmula de cobrança de direitos de imagem, que foi usada pelo resto dos jogadores de futebol e que lhe pareceu "normal". "Achei que estava certo. Entrei em contato com meu consultor fiscal. Nunca pensei que pudesse ser uma fraude", reiterou. Quando perguntado sobre seu envolvimento com direitos de imagem, ele disse que não tinha "nenhum outro envolvimento além do que meus consultores fiscais estavam fazendo".

Durante o interrogatório de seu advogado, o técnico explicou que o Real Madrid ia lhe pagar uma parte dos direitos de imagem e que ele fez uma transferência de 50% nesse conceito, reiterando que essa questão não é importante para os técnicos.

"Eles não vendem camisas. Pensei que era para me compensar pelo salário não pago", acrescentou, indicando que, por meio desse sistema, ele não ganhou nada. "Eu queria seis redes e no final da temporada eu tinha seis redes", reiterou.

DIREITOS DE IMAGEM OMITIDOS

A promotoria considera que, embora ele tenha confirmado que era residente na Espanha para fins fiscais e tenha declarado que seu endereço era em Madri, ele só incluiu em suas declarações fiscais a remuneração por trabalho pessoal recebida do Real Madrid e omitiu a renda correspondente à exploração de seus direitos de imagem, que ele alegou ficticiamente ter cedido a outras entidades.

A acusação lembra que, em 4 de julho de 2013, o réu assinou um contrato de trabalho como esportista profissional e treinador do Real Madrid para o período de 5 de julho de 2013 a 30 de junho de 2016, "fixando e especificando em sua remuneração para esse período, além dos rendimentos do trabalho, os rendimentos derivados da cessão de direitos de imagem ao clube".

A partir de julho de 2013, o acusado começou a trabalhar e residir na Espanha, estabelecendo seu domicílio e residência habitual em Madri, embora tenha encerrado antecipadamente sua relação profissional com o clube em 25 de maio de 2015.

No entanto, desde sua chegada à Espanha até aproximadamente outubro de 2015, alugou o referido imóvel, sendo a Espanha "seu principal centro de relações pessoais e interesses econômicos e profissionais" nesse mesmo ano. De fato, ele obteve 14.867.622,25 euros do Real Madrid apenas como renda do trabalho, "e, portanto, deve ser tributado por sua renda universal em nosso país também neste exercício de 2015".

A Promotoria sustenta que o acusado, para evitar a tributação sobre a renda dos direitos de imagem que recebia do clube ou de outras marcas pela participação em determinados eventos, canalizava a arrecadação desses direitos "por meio de uma complexa e confusa rede de trusts e empresas interpostas".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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