Publicado 03/04/2025 01:26

Petro chama as tarifas de Trump de "grande erro" enquanto os vizinhos "avaliam" possíveis medidas

18 de março de 2025, Bogotá, Cundinamarca, Colômbia: O presidente colombiano Gustavo Petro acena e faz um discurso enquanto manifestantes seguram cartazes e faixas em apoio às diferentes reformas propostas por seu governo em Bogotá, Colômbia, em 18 de mar
Europa Press/Contacto/Jorge Londono

Equador e Argentina, aliados de Trump, comemoram as tarifas

MADRID, 3 abr. (EUROPA PRESS) -

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, descreveu como um "grande erro" as tarifas anunciadas na quarta-feira por seu homólogo norte-americano, Donald Trump, e pelas quais os produtos deste último e de um grande número de países latino-americanos, incluindo Brasil, Peru, Chile e até mesmo a Argentina, aliada de Javier Milei, enfrentarão um imposto de 10% para entrar em território norte-americano a partir de 5 de abril.

"O governo dos EUA acredita agora que, ao aumentar as tarifas sobre suas importações em geral, pode aumentar sua própria produção, riqueza e emprego; na minha opinião, isso pode ser um grande erro", declarou ele em sua conta na rede social X, depois de garantir que "aqueles que se amarram" ao neoliberalismo "devem saber que estão se amarrando a um cadáver".

Por sua vez, a ministra colombiana das Relações Exteriores, Laura Sarabia, anunciou que, juntamente com os ministérios do Comércio e da Agricultura, "estamos analisando as medidas" a serem tomadas com o objetivo de "proteger a indústria nacional e os exportadores", embora não tenha dado detalhes a esse respeito.

"Trabalharemos lado a lado com o setor privado e com cada um dos setores para analisar quais medidas entenderemos e tomaremos como base essa decisão dos Estados Unidos, uma decisão que, como eu disse, é uma decisão global, é uma decisão em relação a todos os países e não é uma medida discricionária em relação à Colômbia", disse ele da Casa de Nariño, a sede da Presidência colombiana, em Bogotá.

REAÇÕES CAUTELOSAS DOS PAÍSES VIZINHOS

Os produtos importados do Chile também sofrerão um imposto de 10%, embora as autoridades chilenas tenham enfatizado que entre as exceções à medida está o cobre, seu principal material de exportação.

"Há produtos importantes na cesta de exportação do Chile para aquele país que seriam excluídos dessa lista de tarifas, como o cobre. Também estão isentos por meio dessa ordem executiva os produtos de madeira e outros bens que não estão disponíveis nos Estados Unidos", disse o ministro das Finanças do Chile, Mario Marcel, em um comunicado, enquanto aguarda uma decisão da pasta diplomática, que "está analisando o escopo da decisão".

No Brasil, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva está considerando medidas de retaliação alinhadas com as de Trump, depois que o Congresso do país aprovou uma lei na quarta-feira autorizando-o a fazê-lo, além de apresentar uma queixa à Organização Mundial do Comércio (OMC), de acordo com uma declaração publicada pelo jornal 'O Globo'.

As autoridades peruanas também reagiram, pois o país também está sendo prejudicado, apesar de ter um Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos. Nesse sentido, a ministra do Comércio Exterior do país andino, Desilú León, informou que fará uma "análise minuciosa" por produto antes de tomar medidas, já que alguns produtos exportados, como a madeira, "poderiam continuar com tarifas zero".

Em declarações ao Canal N, ela reconheceu que há preocupação com as exportações no setor agrícola, tendo em vista que os Estados Unidos são seu segundo maior parceiro comercial, mas não anunciou nenhuma medida específica além da "avaliação dessa ordem executiva, estamos coordenando com o setor privado".

ALIADOS ACOLHEM A MEDIDA

Por sua vez, os aliados de Trump na América Latina viram as tarifas impostas contra eles como um benefício, observando que os produtos da Venezuela e da Nicarágua - dois países que ameaçam a segurança nacional dos EUA e a estabilidade da região, como a Casa Branca reiterou em diferentes ocasiões - registram tarifas de 15% e 18%, respectivamente.

"O Equador recebeu apenas a tarifa de 10%, sem medidas adicionais ou sanções específicas. Enquanto outros países foram sujeitos a tarifas mais altas, dependendo de setores ou políticas específicas, como a Venezuela com 15% e a Nicarágua com 18%, ambas ditaduras reconhecidas na América Latina", disse o governo de Daniel Noboa.

Em uma declaração conjunta, os ministérios das Relações Exteriores e da Indústria do país garantiram que continuariam a "fortalecer as relações com (seu) principal parceiro comercial, a fim de promover um relacionamento mais próximo que abra as portas para o progresso".

Por sua vez, o presidente argentino, Javier Milei, que pegou um voo para os Estados Unidos na noite de quarta-feira, limitou-se a publicar uma mensagem em sua conta na rede social X, no que parece ser uma celebração das tarifas anunciadas por seu colega norte-americano.

"Amigos serão amigos", disse ele, anexando o vídeo da música homônima do grupo de rock britânico Queen.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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