Estima-se que mais de 300.000 pessoas autistas na Espanha ainda não tenham sido diagnosticadas.
MADRID, 2 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Confederação Autismo Espanha, Pedro Ugarte, exigiu o compromisso das administrações para que todas as pessoas com autismo, independentemente de sua situação socioeconômica ou de seu local de residência, possam ter acesso a um apoio "específico e flexível", adaptado a cada uma delas e às suas necessidades, pois são "únicas".
"A partir do movimento associativo do autismo, trabalhamos incansavelmente para oferecer serviços específicos e especializados que favoreçam seu bem-estar, desenvolvimento e participação social. Mas não podemos fazer isso sozinhos", expressou nesta quarta-feira durante o ato institucional pelo Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado no Congresso dos Deputados.
Nesse sentido, ele destacou que os serviços para o autismo devem ter "financiamento, sustentabilidade e qualidade" e, para isso, é necessário o "compromisso real e duradouro" das administrações.
Em seu discurso, Ugarte destacou que, na Espanha, estima-se que uma em cada 100 pessoas tem autismo, e ressaltou que a sociedade deve lembrar que "eles não são invisíveis", de modo que sua voz e a de suas famílias "devem ser ouvidas" e ter um "papel ativo" na tomada de decisões que os afetam.
Ela também pediu o reforço dos recursos para evitar listas de espera "insuportáveis", a "falta" de profissionais especializados e a "insuficiência" de apoio em áreas "essenciais", como educação, emprego e vida adulta.
"Hoje, na sede da legislatura, pedimos a todos os formuladores de políticas de todas as instituições que passem das palavras à ação. Vamos trabalhar juntos para um futuro em que nenhuma pessoa e nenhuma família seja deixada para trás", concluiu.
MAIS DE 300.000 PESSOAS AINDA PRECISAM SER DIAGNOSTICADAS
Durante a conferência, a diretora técnica da Confederación Autismo España, Ruth Vidriales Fernández, detalhou que no banco de dados do IMSERSO há mais de 110.000 pessoas autistas identificadas, mas que, levando em conta que a prevalência é estimada em uma de cada 100 pessoas, há mais de 300.000 pessoas ainda a serem diagnosticadas.
Sobre esse ponto, ele destacou que "as mulheres não estão nas estatísticas" e que as evidências científicas afirmam que o autismo está sendo identificado "erroneamente" nelas. "As cifras de prevalência e incidência nos diziam que havia quatro homens para cada mulher, mas parece que a diferença é cada vez menos pronunciada e parece que estamos deixando as mulheres passarem", indicou.
"Dentro de um grupo particularmente vulnerável, elas são especialmente vulneráveis", enfatizou sobre as mulheres autistas, já que o atraso no diagnóstico ou a falta dele até a idade adulta acarreta riscos emocionais, para sua qualidade de vida e para seus direitos.
Ela também apresentou dados da Confederação que revelam que a idade média de diagnóstico de pessoas autistas é de cerca de sete anos e meio, quando se sabe que os sinais começam a aparecer entre 12 e 18 meses. "São necessários muitos anos para que um diagnóstico seja confirmado e para que você tenha o apoio de que precisa", lamentou Vidriales.
Por outro lado, ele abordou as dificuldades e as lacunas de oportunidades que as pessoas autistas encontram. No campo da educação, os alunos autistas aumentaram em 13,13% nos últimos dois anos acadêmicos e, embora haja cada vez mais alunos no ensino médio, há muitos que não concluem esse nível e, no treinamento vocacional e no bacharelado, a diferença de números em relação ao corpo discente em geral é "enormemente significativa".
Em relação à saúde mental, um estudo da Confederação concluiu que as pessoas autistas têm sete vezes mais diagnósticos de ansiedade, nove vezes mais diagnósticos de depressão e fazem muito mais tratamentos psicofarmacológicos do que a população em geral. Além disso, 89% dos jovens autistas relatam dificuldades em lidar com atividades da vida diária e 83% deles relacionam esses obstáculos a problemas de saúde mental.
MEDIDAS LEGISLATIVAS EM DESENVOLVIMENTO
A conferência foi encerrada pelo Secretário de Estado da Juventude e da Infância, Rubén Pérez, que destacou que o aumento do perfil do autismo ajuda a garantir que haja mais e mais políticas sobre o assunto a cada ano. Sobre a contribuição de seu Ministério, ele destacou a Lei sobre Ambientes Digitais e Menores, que será enviada ao Congresso "nos próximos dias", e a primeira Lei da Juventude em âmbito estadual, que inclui a perspectiva dos jovens autistas.
Por sua vez, a Secretária de Estado de Direitos Sociais, Rosa Martínez, destacou a necessidade de evidências para avançar na "personalização" da abordagem do autismo. Ela também comemorou o consenso do Estado para a melhoria da intervenção precoce e destacou que estão finalizando a redação do Decreto Real sobre Acessibilidade Cognitiva, bem como o impacto da nova lei que modificará as leis sobre dependência e deficiência, que esperam levar ao Congresso "no outono".
Por fim, o Secretário de Estado da Educação, Abelardo de la Rosa, enfatizou que, na educação, a integração da diversidade "não é apenas uma questão regulatória", mas uma "obrigação ética" e um "dever moral". Com relação ao trabalho de seu departamento, ele destacou o desenvolvimento do Plano Estratégico para a Educação Inclusiva, para que "nenhuma criança seja deixada para trás".
CAMPANHA WE ARE INFINITE
Durante o evento, a Confederación Autismo España apresentou a campanha 'SomosInfinitos', que tem como objetivo tornar o autismo visível, fazer com que as pessoas percam o medo de falar sobre o assunto e que os autistas possam se relacionar com toda a sociedade em um contexto de absoluta segurança, de acordo com a chefe de Comunicação e Relações Institucionais da Confederação, Amparo Rey González.
Especificamente, por meio dessa iniciativa, eles quiseram explicar o autismo à população a partir do conceito de "variabilidade" dessa condição, o que leva a sociedade a desconhecer o autismo no sentido mais amplo do termo. "Isso é o que queríamos fazer com a campanha deste ano, dizer que somos infinitos por causa da enorme variabilidade que temos", destacou Rey.
No 'spot' da campanha, participam várias pessoas com autismo, como Vanesa Almeida, José Luis Sancho, Sandra de la Torre e Juan José Garrido, bem como a profissional de apoio Cilene Rodrigues, que participaram do evento para oferecer seus depoimentos em primeira pessoa.
Vanesa Almeida enfatizou a necessidade de campanhas de conscientização, como a 'SomosInfinitos', "não só porque podem mudar uma vida, mas também porque podem salvar vidas". Da mesma forma, ela destacou que o Dia do Autismo deve ir além de "tirar fotos e falar sobre tornar visível", pois o que se trata hoje em dia é de "agir" e fazer coisas "tangíveis e concretas".
Almeida explicou que, por ser uma esportista de alto desempenho, sempre soube que "algo não estava certo", mas o diagnóstico de autismo de alto funcionamento com altas capacidades veio apenas há quatro anos.
"Como isso é possível? O que houve de errado com o sistema? Insisto que passei toda a minha vida em esportes de alto desempenho e, se nesses ambientes ninguém pôde me ajudar, o que acontecerá nas milhares de escolas de toda a Espanha? Quantas crianças não são aceitas e quantas ousam dizer a verdade?
Ela enfatizou a importância de começar a agir. "Temos que tomar medidas concretas e firmes para que ninguém sinta que não se encaixa", acrescentou.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático