MADRID 2 abr. (EUROPA PRESS) -
Pela primeira vez, foi demonstrado que certas espécies de líquen podem sobreviver às condições de Marte, incluindo a exposição à radiação ionizante, enquanto mantêm um estado metabólico ativo.
Publicado na revista IMA Fungus, um novo estudo destaca o potencial dos líquens para sobreviver e funcionar na superfície marciana, desafiando as suposições anteriores sobre a inabitabilidade de Marte e oferecendo insights para a astrobiologia e a exploração espacial.
Os líquens não são um organismo único, mas uma parceria simbiótica entre um fungo e algas e/ou cianobactérias, conhecidos por sua extrema tolerância a ambientes hostis, como desertos e regiões polares da Terra. Nesse estudo, o fungo envolvido na simbiose com o líquen permaneceu metabolicamente ativo quando exposto a condições atmosféricas semelhantes às de Marte no escuro, incluindo os níveis de radiação de raios X esperados em Marte durante um ano de intensa atividade solar.
A pesquisa se concentra em duas espécies de líquen, Diploschistes muscorum e Cetraria aculeata, selecionadas por suas características distintas, expondo-as a condições semelhantes às de Marte por cinco horas em uma simulação da composição atmosférica, pressão, flutuações de temperatura e radiação de raios X do planeta.
SOBREVIVENDO À RADIAÇÃO INTENSA
As descobertas sugerem que os líquens, especialmente o D. muscorum, poderiam sobreviver em Marte apesar das altas doses de radiação de raios X associadas a explosões solares e partículas energéticas que atingem a superfície do planeta. Esses resultados desafiam a suposição de que a radiação ionizante é uma barreira intransponível para a vida em Marte e estabelecem as bases para pesquisas futuras sobre o potencial de sobrevivência microbiana e simbiótica extraterrestre.
A principal autora do artigo, Kaja Skubala, disse: "Nosso estudo é o primeiro a mostrar que o metabolismo do fungo envolvido na simbiose do líquen estava ativo em um ambiente semelhante à superfície de Marte. Descobrimos que o Diploschistes muscorum foi capaz de realizar processos metabólicos e ativar mecanismos de defesa de forma eficaz.
Essas descobertas ampliam nossa compreensão dos processos biológicos em condições marcianas simuladas e revelam como os organismos hidratados respondem à radiação ionizante, um dos desafios mais críticos para a sobrevivência e a habitabilidade em Marte. Em última análise, essa pesquisa aprofunda nosso conhecimento sobre a adaptação dos líquens e seu potencial para colonizar ambientes extraterrestres.
Estudos de longo prazo que investigam o impacto da exposição crônica à radiação em líquens, bem como experimentos que avaliam sua sobrevivência em ambientes marcianos reais, foram recomendados.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático