Publicado 05/04/2025 04:02

A OTAN explora a cooperação com os vizinhos do sul para combater o terrorismo e conter a influência russa

O Representante Especial da OTAN para a Vizinhança do Sul, Javier Colomina, durante uma entrevista à Europa Press.
NATO

BRUXELAS 5 abr. (EUROPA PRESS) -

A OTAN está explorando maneiras de cooperar com os países vizinhos do sul na luta contra o terrorismo e melhorar a interoperabilidade das forças na tentativa de reduzir a influência russa na região do Sahel, de acordo com o representante especial da OTAN para a vizinhança do sul, Javier Colomina.

"Estamos tentando nos concentrar no trabalho de combate ao terrorismo, nas operações especiais e em todo o aspecto da interoperabilidade", disse o diplomata espanhol à Europa Press na sede da OTAN em Bruxelas.

Nomeado em julho do ano passado pelo ex-secretário geral da OTAN, Jens Stoltenberg, o trabalho de Colomina se concentra em aumentar o relacionamento com os vizinhos do sul, um grupo heterogêneo que inclui Marrocos, Argélia, Mauritânia, Egito, Tunísia, Israel, Jordânia, os países do Golfo e o Iraque, onde a OTAN mantém uma operação de consultoria e não combate.

Colomina descreve seus primeiros meses no cargo como "intensos" e "produtivos" e explica que, até o momento, seu trabalho tem se concentrado na análise de maneiras de aprofundar as relações com esses parceiros. "Nem todos os parceiros estão interessados em tudo. Há parceiros que estão mais interessados na parte da interoperabilidade, em que querem mais treinamento, mais capacitação, mais comando e controle, mais capacidade de trabalhar conosco na cooperação militar. Há outros países que precisam, por estarem mais próximos da ameaça terrorista, de mais aconselhamento", diz ele.

Uma vez concluído esse exercício inicial de análise e aproximação das necessidades de cada parceiro, a tarefa agora é "priorizar alguns países em detrimento de outros e algumas áreas de trabalho em detrimento de outras".

INFLUÊNCIA RUSSA NO SAHEL

Como pano de fundo, além da ameaça terrorista, há a influência da Rússia na região do Sahel, que, segundo Colomina, é "a região mais frágil do mundo no momento". "É uma região em que praticamente todos os desafios e ameaças que encontramos na vizinhança do sul estão concentrados lá", ressalta.

De acordo com o representante especial da OTAN, "quase tudo de ruim que acontece no mundo pode ser encontrado no Sahel". "Desde o tráfico ilícito, mas da forma mais selvagem e brutal, até os fluxos migratórios irregulares, é claro, o terrorismo de todos os tipos e condições e a presença geoestratégica, especialmente da Rússia, mas também da China", ressalta. É exatamente por isso que a aliança atlântica busca mitigar os riscos que isso representa para os países vizinhos, por meio de um relacionamento político e militar mais direto.

A Aliança Atlântica considera a presença da Rússia na região do Sahel "particularmente preocupante", entendendo que "ela está se aproveitando da fragilidade já existente para se estabelecer e gerar maior instabilidade". Com relação às manobras de Pequim, a OTAN considera que sua influência se dá principalmente na esfera socioeconômica. Por fim, a presença do Irã "é, talvez em menor grau, mas também muito desestabilizadora", acrescenta Colomina.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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