Publicado 02/04/2025 10:34

Psicólogo diz que o jornalismo pode mostrar alternativas ao suicídio por meio da sensibilidade e da oferta de ajuda

Archivo - Arquivo - Consulta com o psiquiatra.
NICKYLLOYD/ISTOCK - Archivo

MADRID 2 abr. (EUROPA PRESS) -

A representante da Sociedade Espanhola de Psicologia Clínica, a psicóloga Irene Caro, declarou que o jornalismo pode servir como meio de prevenção do suicídio, mostrando alternativas, falando sobre o assunto com "sensibilidade", mostrando que existem "soluções" e rejeitando o "sensacionalismo".

"O fundamental é que nos importemos com o fato de que há outra pessoa que está sofrendo. A partir daí, podemos ter essa sensibilidade", explicou Caro durante uma conferência sobre comunicação para prevenção do suicídio, organizada pelo Ministério da Saúde.

Nesse sentido, ele enfatizou que as informações tratadas corretamente na mídia podem ensinar às pessoas que estão pensando em tirar a própria vida que há outras que "encontraram uma solução", o que pode levá-las a procurar ajuda para sua situação, que pode ser obtida ligando para os números de telefone 024 ou 112.

"Temos que entender que, no final, uma pessoa que considera tirar a própria vida pode ser uma pessoa como qualquer um de nós. Quando nos sentimos sobrecarregados por uma situação, porque diferentes questões começam a se juntar por causa do que está acontecendo em nossas vidas, podemos considerar diferentes alternativas. E há momentos em que sentimos que não conseguimos encontrar uma alternativa", acrescentou.

Por sua vez, a jornalista e autora do livro 'Habla', Marta Nieto, disse que estava "profundamente indignada" ao ver como as causas do suicídio são simplificadas na imprensa, lembrando que vários fatores influenciam os métodos, o local ou as informações dadas sobre essas pessoas, o que pode acabar prejudicando as famílias.

"As pessoas que morrem por suicídio merecem respeito, não devem ser colocadas no centro das atenções, ser destacadas e muito menos receber detalhes escabrosos sobre o que aconteceu", acrescentou Nieto, que também é uma sobrevivente de suicídio.

Ela continuou dizendo que aqueles que sofrem de bullying, transfobia, homofobia, violência doméstica ou outros fatores de risco recebem a mensagem de que "não são suficientes", o que lhes causa solidão indesejada, sentindo-se incompreendidos e isolados.

É nesses casos que os jornalistas podem "desempenhar um papel fundamental", para o qual devem falar "em profundidade" sobre todas essas questões, fazendo com que as pessoas que estão sofrendo "sintam que não estão sozinhas", lembrando que, no seu caso, se ela "tivesse conhecido o caso de apenas uma pessoa que estivesse passando por algo semelhante", não teria tentado tirar a própria vida.

"Temos de enviar uma mensagem de esperança, temos de fazer denúncias, temos de entrevistar sobreviventes, sobreviventes, mesmo que seja difícil encontrá-los, para que juntos possamos tecer uma rede de prevenção", acrescentou.

Da mesma forma, ela enfatizou que os jornalistas devem informar sobre como agir quando alguém próximo estiver passando por um processo de ideação suicida, alertando sobre os sinais de alerta.

O presidente da Associação para Prevenção de Suicídio e Saúde Mental, Juan José Escudero Barrera, descreveu como ficou "desesperado" ao procurar informações sobre suicídio na mídia que "eram mais ou menos boas".

"Fiquei desesperado, fiquei muito nervoso, porque encontrei imagens, encontrei histórias e tive que parar", disse Escudero Barrera, um sobrevivente do suicídio de seu filho de 19 anos, depois do qual ele disse que o processo de luto é "muito difícil" e que ser exposto a informações que falam sobre formas, métodos ou lugares, ou que dão um tratamento muito banal, pode afetar muito as pessoas, tanto as afetadas quanto as que estão passando por um momento ruim e que esses detalhes "ficam dentro".

Notavelmente, uma pesquisa da Divisão de Psiquiatria da Criança e do Adolescente e da Divisão de Epidemiologia da Universidade de Columbia e do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova York (EUA) analisou notícias sobre suicídio, encontrou abordagens sensacionalistas (58% dos casos) e manchetes com a palavra suicídio (71%), informações sobre o método (81%), local (83%), bilhete de suicídio (46%), divulgação do nome (83%) e simplificação da causa (60%), enquanto apenas 4% forneciam informações de apoio.

"Se você lidar com todas essas informações de forma responsável (...) estará salvando vidas. Sei que, se leio uma informação mal redigida, isso me machuca (...), outros sobreviventes não estão ainda mais feridos e, dependendo de como estão suas circunstâncias, eles diriam para acabar com a própria vida. Em outras palavras, se isso for feito com responsabilidade, vidas serão salvas", enfatizou.

RECOMENDAÇÕES PARA LIDAR COM O SUICÍDIO NA MÍDIA

A conferência também serviu para apresentar uma série de recomendações à mídia para lidar de forma responsável com esse tipo de notícia, enfatizando que a maioria dos casos não é publicável e que é necessário refletir profundamente antes de fazê-lo.

A secretária da La Niña Amarilla, Cristina Martínez Vallier, explicou que tentativas, resgates e mortes de pessoas anônimas não devem ser publicados e que só devem ser noticiados se estiverem relacionados a um problema social ou quando tiverem consequências na esfera pública.

O especialista e autor do livro 'Let's Talk about Suicide' (Vamos falar sobre suicídio), Gabriel González Ortiz, explicou que os suicídios devido a problemas sociais geralmente vêm de famílias ou associações, que procuram noticiar o suicídio por uma causa injusta, casos em que ele recomendou "consultar o maior número possível de fontes" para evitar apontar responsabilidades "prematuramente", sempre fazendo com que os direitos das vítimas prevaleçam sobre os dos culpados.

No entanto, são os suicídios em locais públicos que chegam com mais frequência às redações, dos quais "a grande maioria não deveria ser notícia", e nos quais as famílias geralmente preferem não falar sobre suicídio.

Quando uma figura pública está envolvida, é importante levar em conta o impacto que ela pode ter, casos em que um bom tratamento das informações pode evitar o aumento do número de suicídios e o uso de seus métodos.

No caso de decidir escrever a notícia, os especialistas recomendam reduzir o número de detalhes, não glorificar, usar linguagem simples e responsável, evitar o sensacionalismo e tentar incluir o testemunho de especialistas e usar dados e fontes confiáveis, lembrando que testemunhas "não são fontes".

As notícias também devem sempre incluir recursos de ajuda e, em nenhum caso, revelar detalhes do método, local ou notas de despedida, tanto para proteger a privacidade das pessoas afetadas quanto para não provocar nenhum tipo de imitação.

Da mesma forma, eles pediram que não se simplificassem as causas do suicídio, que "não é nada simples" e tem vários fatores, além de desmascarar mitos e crenças falsas, combatendo estereótipos e desinformação.

Em relação a isso, é necessário evitar o "contágio" de ecoar o que aparece nas redes sociais, onde as informações aparecem "muito rapidamente", mas sem serem contrastadas.

Para incentivar a comunicação preventiva, também é necessário oferecer uma mensagem de "esperança", fazendo com que as pessoas com comportamento suicida saibam que podem "se expressar, "falar sobre isso" e informá-las de que há recursos de ajuda e apoio disponíveis; para isso, podem ser produzidas notícias de pretexto, que nascem de "uma necessidade social e não de uma morte", garantindo que a prevenção apareça em seções como Esportes, Cultura, Economia ou Educação, sem se limitar à Saúde ou Sociedade.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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