MADRID 3 abr. (EUROPA PRESS) -
Algumas estrelas apresentam flutuações em seu brilho ao longo do tempo, causadas por terremotos estelares contínuos, o que permite determinar sua idade e outras propriedades, como sua massa.
"Ao observar de perto essas pequenas flutuações de brilho, podemos ouvir o ritmo musical de uma estrela", explica a Dra. Claudia Reyes, da Universidade Nacional Australiana (ANU), principal autora da pesquisa por trás dessa descoberta.
NOTAS MUSICAIS
"Essas flutuações são como notas musicais, semelhantes às vibrações de uma corda ou ao zumbido de um tambor, que podem ser traduzidas em frequências. Cada frequência revela mais sobre o tamanho, a composição química e a estrutura interna da estrela", disse ela em um comunicado.
Reyes explicou que cada uma das estrelas estudadas tem uma "camada de energia em torno de seu núcleo" que a mantém viva. Essa região da estrela é como uma fornalha onde ocorrem as reações nucleares e os elementos são formados. Essas reações produzem grandes quantidades de energia, e os elementos produzidos durante essas reações são emitidos para o universo.
À medida que uma estrela envelhece e sua massa e estrutura interna mudam, como quando ela evolui para uma subgigante ou gigante vermelha, essas regiões da fornalha próximas ao núcleo podem aumentar ou diminuir de tamanho.
Quando isso acontece, a estrela emite frequências diferentes, uma descoberta importante que aproxima os cientistas da reconstrução da história da Via Láctea.
Reyes e sua equipe estudaram as frequências emitidas por estrelas em uma região da nossa galáxia conhecida como aglomerado aberto M67, a cerca de 3.000 anos-luz da Terra. O Dr. Reyes explicou que a equipe de pesquisa estava interessada nessas estrelas em particular porque elas são como irmãs: nasceram da mesma nuvem molecular ao mesmo tempo e, portanto, compartilham a mesma idade e composição química. As estrelas do aglomerado M67 também compartilham características semelhantes às das estrelas próximas à Terra, como o nosso Sol.
"Estudamos as frequências emitidas pelas estrelas desse aglomerado à medida que elas evoluíam para subgigantes e gigantes vermelhas, algo que nunca foi explorado em profundidade antes", disse Reyes.
SINAL NO NÚCLEO
Os cientistas descobriram que as estrelas desse aglomerado chegam a um ponto em sua vida em que o sinal de frequência que emitem para temporariamente após atingir um determinado ponto, como se o sinal estivesse preso em um loop, repetindo como um disco quebrado, antes de retomar sua progressão. Reyes chama esse momento de "platô".
"As estrelas têm várias camadas, semelhantes a uma cebola. Descobrimos que o platô ocorre devido a eventos em uma camada específica da estrela e em frequências específicas que são influenciadas pela massa e metalicidade da estrela", explicou ele.
Isso significa que podemos prever quando e com que frequência o platô ocorrerá durante o ciclo de vida de uma estrela, permitindo estimativas de idade extremamente precisas para estrelas atualmente nessa fase.
Essa pesquisa nos ajuda a entender melhor como as estrelas evoluem e fornece uma nova ferramenta para estimar sua idade, o que é crucial para estudar a evolução de nossa galáxia.
Essa descoberta nos dá um novo motivo para revisitar os dados que já temos. Com anos de observações sísmicas de toda a Via Láctea, agora podemos voltar a essas estrelas e "ouvir" novamente, dessa vez sabendo o que procurar.
A pesquisa foi publicada na Nature. O trabalho envolveu cientistas da ANU, UNSW Sydney, Universidade de Sydney, Universidade de Yale, Universidade do Havaí e Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
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