Publicado 02/04/2025 05:53

Vários rios nos Estados Unidos não deveriam existir

Em um novo artigo, os cientistas chamam o rio Casiquiare de "o equivalente hidrológico de um buraco de minhoca entre duas galáxias".
COORDENAÇÃO-GERAL DE OBSERVAÇÃO DA TERRA/INPE, CC

MADRID 2 abr. (EUROPA PRESS) -

A revista Water Resources Research publica pesquisas sobre um total de nove rios e lagos na América que desafiam as regras fundamentais de como funcionam os cursos d'água e as bacias hidrográficas.

Os rios se unem a jusante, fluem para baixo e, por fim, desembocam em um oceano ou lago terminal. Mas todos os casos do novo estudo apresentam instâncias de bifurcação, em que um rio se divide em ramos que continuam rio abaixo. Mas, diferentemente das bifurcações típicas, esses exemplos não retornam ao curso d'água principal após a ramificação.

COMO UM BURACO DE MINHOCA

O rio Casiquiare, na Venezuela, por exemplo, é um curso d'água que conecta as duas maiores bacias hidrográficas do continente, as bacias do Orinoco e do Amazonas, atuando como um distribuidor (curso d'água secundário que se ramifica do principal) do primeiro e um afluente do segundo. É "o equivalente hidrológico de um buraco de minhoca entre duas galáxias", escrevem os autores Robert B. Sowby e Adam V. Siegel, da Universidade Brigham Young.

O Casiquiare se separa do rio Orinoco e serpenteia por florestas tropicais exuberantes e quase planas até se juntar ao rio Negro e, por fim, ao rio Amazonas. Os autores do estudo destacam que o pequeno gradiente (menos de 0,009%) é suficiente para enviar grandes volumes de água rio abaixo e que esse caso incomum se deve à captação incompleta do rio. Eles observam que a compreensão do Casiquiare ainda está em desenvolvimento.

Os colonizadores holandeses mapearam pela primeira vez o remoto rio Wayambo no Suriname em 1717. Esse rio pode fluir para leste ou oeste, dependendo das chuvas e das modificações humanas do fluxo por meio de comportas. Ele também é encontrado perto de minas de ouro e bauxita, bem como de campos de petróleo, e seu fluxo bidirecional dificulta a previsão da propagação de poluentes, informa a revista Eos, da American Geophysical Union (AGU).

UM RIO NO CANADÁ FLUI NOS DOIS SENTIDOS

De todos os rios analisados, os pesquisadores descreveram o rio Echimamish, no alto da região selvagem do Canadá, como o "mais intrigante". Seu nome significa "água que flui para os dois lados" em Cree.

O rio conecta os rios Hayes e Nelson e, de acordo com alguns relatos, o Echimamish flui de seu curso médio para os dois rios principais. No entanto, seu curso é plano e pontilhado de represas de castores, o que gera incerteza, ainda hoje, sobre a direção de seu fluxo e sua mudança de direção.

Os autores também exploraram seis outros cursos d'água incomuns, incluindo lagos com duas saídas e riachos que fluem para os oceanos Atlântico e Pacífico. Ao fazer isso, eles destacaram o quanto ainda há para aprender sobre o funcionamento das águas do nosso planeta.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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